Entre os dias 7 e 10 de junho aconteceu em Tarapoto, Peru, o
Congresso Internacional “Medicinas Tradicionales, Interculturalidad y Salud Mental”, do qual participou
Marcelo Mercante, pesquisador do NAU. Segue seu relato sobre o evento:
"Este encontro foi promovido pela
Takiwasi (clínica em Tarapoto que vem trabalhando com a reabilitação de dependentes químicos, através do uso da ayahuasca, desde 1992), pela
Runa Wasi (associação que trabalha com direitos indígenas, saúde e cultura), pelo
Centro de Estudios Médicos Interculturales (instituição colombiana que trabalha na promoção de uma política intercultural de saúde, unindo medicina ocidental e dos povos nativos da Colômbia), além da
Fundação Ashoka.
O congresso foi importante por reunir praticantes de medicina tradicional que trabalham com as mais variadas técnicas – desde rituais com “plantas de poder”, como o peyote, ayahuasca, coca, cogumelos, wachuma (san pedro), tabaco – até quiropratas inkas, com pesquisadores representantes da “ciência ocidental”. Estiveram presentes nomes importantes como Jean Langdon, Edward MacRae, Bia Labate, Benny Shanon, German Zaluaga, Sacha Domech, José Maria Fabregas, Jaques Mabit, Rosa Giove, Gabriela Ricciardi. Apresentei a palestra intitulada “Ayahuasca, moradores de rua e dependência química”.
Vale dizer que Tarapoto localiza-se muito próxima de Bagua, cidade peruana onde recentemente aconteceu um massacre de indígenas, promovido pelo exército peruano, que se manifestavam contra a presença de companhias petroleiras em seu território. Assim, não havia acesso à Tarapoto por estradas, impossibilitando que muitos curandeiros locais chegassem ao encontro. Pude assistir de perto várias manifestações contra o governo peruano. Todas as noites velas eram acesas na praça central (a Plaza de Armas) da cidade para lembrar os mortos no massacre."
Marcelo S. Mercante.